Médico
de família pode lidar com até 90% dos problemas dos pacientes.
Aline
Leal - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça
Adjuto
Capacitado
para atender a pacientes desde o nascimento, os médicos de família, em um
sistema estruturado, podem lidar com até 90% dos problemas de saúde. A ideia
central dessa especialidade é conhecer e acompanhar o paciente por toda a vida,
o que lembra a figura do médico de confiança.
Hoje
(5), Dia do Médico de Família e Comunidade, Thiago Trindade, presidente da
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), avalia que a
cultura brasileira ainda é muito voltada para o atendimento do médico
especialista, mas que a tendência, tanto da rede pública quanto da privada, é
mudar esse cenário. A especialidade está no Brasil há 33 anos.
O
médico que faz residência em medicina de família pode acompanhar, por exemplo,
crianças, fazer prevenções ginecológicas, urológicas e, caso veja necessidade,
encaminhar o paciente para um especialista. Em alguns países, esse profissional
é chamado de clínico geral, médico generalista. Segundo especialistas, no
Brasil esses termos viraram sinônimo de médico que não fez residência.
A
ideia do Sistema Único de Saúde é baseada no médico de família, porém, de
acordo com Trindade, a falta de profissionais especializados na área de
medicina de família, ligada à falta de estrutura, acaba tornando a unidade
básica de saúde um lugar de encaminhamento de pacientes para especialistas.
Muitos países europeus e o Canadá usam um sistema baseado na medicina de
família. Nesses lugares, cerca de 95% das pessoas têm seu médico generalista de
confiança.
Apesar
disso, há municípios como o Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis que estão
ampliando a atenção básica nesse profissional. Trindade lembrou que cerca de 35
mil profissionais atuam no Brasil como generalistas, a maioria na rede pública,
mas apenas 5 mil têm a formação de medicina de família.
Gustavo
Gusso, médico de família professor da Universidade de São Paulo, conta que
recentemente as operadoras de planos de saúde estão vendo que o sistema baseado
nessa especialidade, além de atuar na prevenção, ainda pode trazer economia
para a empresa. “Como conhecemos os pacientes, acompanhamos o histórico e as
tendência familiares, não pedimos exames desnecessários, olhamos o paciente
como um todo”.
Segundo
Gusso, há uma tendência de os planos de saúde criarem grupos e até estímulo
financeiro para que os beneficiários se liguem a um médico de família e só
procurem o especialista quando encaminhados pelo profissional generalista.
Quando
terminou a faculdade em 2002, Rodrigo Lima ficou indeciso sobre que
especialidade seguir. Atuando em uma unidade básica de saúde do Recife, ele
decidiu que queria ser médico de família.
Hoje,
Lima atende a cerca de 3 mil pessoas na Unidade de Saúde da Família do bairro
recifence de Alto José do Pinho. “Quando comecei meu trabalho em Alto José do
Pinho, há cerca de um ano, os pacientes já vinham para a consulta pedindo para
encaminhar ao especialista, mas com o tempo foram vendo que eu podia resolver
muita coisa ali mesmo. Foram criando confiança e agora atendo a famílias
inteiras”, conta.
Segundo
a SBMFC, o Brasil dispoe de 120 programas de residência em medicina de família,
mas muitas vezes as vagas não são preenchidas. Segundo Trindade, a falta de
interesse dos recém-formados vem muito da falta de conhecimento da
especialidade. Lima atribui também a uma remuneração baixa em relação às outras
especialidades.
Uma
unanimidade entre Trindade, Gusso e Lima é que os médicos de família são
profissionais apaixonados pelo que fazem.